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Parque Municipal do Bixiga

Localização  

São Paulo, SP

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Ano do Concurso     

​2026

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Area Construída

11.100,00m²

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Cliente   

Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Cidade de São Paulo

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Autores

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Mario Figueroa

Carol Moreira

Daniel Maioli

Gustavo Bondezan

Glória Cabral 

Pedro Paes

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Equipe   

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Bruno Caldas

Giovana Fontenla

Bárbara Hernández

Myllena Victor

Augusto Dilascio

                                   

​​Consultores

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Infraestrutura Verde

Elisiana Kleins

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Paisagismo

Felipe Damasio​

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Engenharia Hidráulica

Renan Lopes

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Revisão Textual

Érica Bernabé

Bixiga, Bexiga ou Bela Vista. A multiplicidade de nomes revela, por si só, a densidade histórica e cultural de um território marcado pela sobreposição de tempos e identidades. Trata-se de um lugar cuja permanência se impõe pela capacidade de absorver e ressignificar sucessivas camadas de ocupação.


Antes da consolidação urbana, esta porção da cidade integrava uma vasta geografia indígena e quilombola. Os povos tupis denominavam o principal curso d’água da região como Saracura (sara’kura), em referência à ave pernalta que habitava os ambientes alagadiços locais. A nomeação identifica o rio e também revela uma leitura territorial profundamente vinculada às dinâmicas ecológicas e à paisagem original dos Campos de Piratininga.


Hoje, o bairro pode ser identificado como Bixiga-Saracura: um território síntese, onde coexistem, de forma simultânea e acumulativa, diferentes matrizes culturais, sociais e espaciais. Essa condição evidencia um campo territorial complexo, no qual camadas históricas e funcionais se entrelaçam, construindo um espaço vivo, e em continua transformação.


O bairro do Bixiga também constitui o horizonte histórico e simbólico do Teatro Oficina, cujo projeto arquitetônico de Lina Bo Bardi e Edson Elito buscou estabelecer uma relação direta entre cenografia, cidade e paisagem. Na concepção cênica de José Celso Martinez Corrêa, o teatro afirma sua dimensão ritual e coletiva, evocando as forças dionisíacas da natureza, do corpo e da vida urbana.


Diante disso, nossa proposta para Parque do Rio Bixiga foi idealizada como extensão dessa territorialidade múltipla: uma paisagem com vocação democrática e diversa, no coração da metrópole, que se desdobra a partir do teatro e da renaturalização do córrego do Bixiga, como um lugar de encontro, cultura e natureza. Mais do que espaço físico, o parque é expressão da memória coletiva e da comunidade, resultado de décadas de luta popular pelo direito à cidade e pela ressignificação pública desse lugar.

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Parte fundamental para o entendimento do projeto é a busca por uma relação cíclica entre a natureza e o ser humano, interpretando o anseio latente por uma ancestralidade presente nesse território e que ainda preserva camadas arqueológicas a serem reconhecidas e reveladas

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