Centro de Acolhimento ao Visitante nas Estufas de Vidro do Instituto Biológico de São Paulo
Localização
São Paulo, SP
Ano do Projeto
2024-2026
Area Construída
225,00m²
Fomento
PROAC SP
Realização
CULT SP e
Secretaria da Cultura,
Economia, e Indústria
Criativas de São Paulo
Apoio
Instituto Biológico | APTA
Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo
Arquitetura | FAA
Mario Figueroa
Daniel Maioli
Gustavo Bondezan
Pedro Paes
Restauro | Ambiência
Ana Marta Ditolvo
Jacqueline Antunes Taira Almeida
Equipe
Lev. Topográfico
Alvaro Leme Maciel
Fotogrametria
Guilherme Coscarelli
Prospecções
Katia Regina Magri Sidney José Fischer
Estruturas Metálicas
Cladilson Nardino
Consultoria Ambiental
Monica Dolce
Pedro Valim
Paisagismo
Felipe Damasio
Projeto Luminotécnico
Ana Spina
Projeto Elétrico
Thomaz Cardoso
Projeto Hidrossanitário
Marcio Ribas Moraes
Segurança Contra Incêndio
Ana Paula de Oliveira Flores e Palloma Soares
Climatização
Hernane Santos Filho
Orçamentação Restauro
Fernanda Romão
Orçamentação Intervenção
Mauro Zaidan
Luiza Lacerda Zaidan
Estudo de Viabilidade
Eng. Eduardo Rottmann
Assessoria Contábil
Celso Yoshinobu Fuzii Kelly Fuzii
Este projeto foi contemplado pelo Edital Fomento CULTSP ProAC nº 13/2024 – Elaboração de Projeto de Arquitetura para Ocupação de Bens Tombados pelo CONDEPHAAT, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, no âmbito do Programa de Ação Cultural – PROAC.
Realização | Governo do Estado de São Paulo - Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas
Fomento | CULTSP
A proposta para o Centro de Acolhimento ao Visitante nas Estufas de Vidro do Instituto Biológico fundamenta-se em princípios consolidados de conservação, restauro e intervenção arquitetônica, orientados pelas diretrizes de tombamento e pelas recomendações das cartas patrimoniais internacionais.
O partido adotado busca assegurar a salvaguarda das principais características internas e externas do bem tombado, abrangendo fachadas, volumetria, materialidade e sistemas construtivos, ao mesmo tempo em que integra intervenções contemporâneas necessárias à readequação funcional, acessibilidade e desempenho ambiental da edificação.
Entre os conceitos estruturantes adotados, destacam-se: mínima intervenção, distinguibilidade e compatibilidade dos novos materiais, sempre aplicados de forma a preservar a autenticidade e a unidade da linguagem arquitetônica original. A proposta parte do entendimento de que a conservação deve preservar a significação cultural do bem mediante respeito à sua substância material, enquanto a restauração visa recompor a feição original do patrimônio, mantendo como parte da obra as marcas significativas do tempo.
A fundamentação teórica também se ancora no conceito de ambiência, compreendido como a preservação das relações formais e perceptivas entre o bem e seu entorno construído. Esse entendimento é fundamental para a manutenção da leitura urbana da Estufa, elemento singular do conjunto tombado do Instituto Biológico. A interpretação adotada reconhece ainda a importância da memória como valor estruturante do patrimônio, reforçando a necessidade de conservar elementos que permitam a continuidade da experiência histórica da edificação.
Os fundamentos projetuais dialogam diretamente com o diagnóstico detalhado do estado de conservação da Estufa, que identificou um quadro geral considerado ruim em vários de seus sistemas, expostos nos levantamentos e mapeamento de danos. Somam-se a essas questões problemas advindos da exposição intensa às intempéries, desgaste natural do tempo, ausência de manutenção preventiva e intervenções inadequadas ao longo das décadas.
Diante dessa realidade, o projeto estrutura um conjunto de soluções específicas para cada uma das fragilidades identificadas. A contenção dos danos e a conservação dos materiais originais constitui a primeira vertente da intervenção, abrangendo processos de limpeza, consolidação, recomposição de superfícies e restauro das estruturas existentes.
Essa abordagem visa evitar maior deterioração e minimizar perdas de elementos históricos, assegurando a integridade material e simbólica da Estufa.
A segunda vertente consiste na readequação arquitetônica aos novos usos, incorporando soluções contemporâneas compatíveis com a edificação e integradas às suas características construtivas.
A recuperação integral das fachadas inclui a reabertura de vãos suprimidos, devolvendo unidade formal e legibilidade ao conjunto, além da substituição de janelas por novas esquadrias metálicas tipo guilhotina, mantendo modulação, número de folhas e cromaticidade original, permitindo uma relação ativa de usos entre o espeço interno e a varanda externa. As prospecções cromáticas fundamentam a recomposição das cores internas e externas das áreas de acesso público, restabelecendo a leitura autêntica do edifício.
A fragilidade estrutural das vitrines envidraçadas — identificada no diagnóstico e agravada pela “retirada histórica” da linha inferior das esquadrias — é solucionada por meio de um reforço estrutural independente, composto por perfis tubulares metálicos pintados em branco, deliberadamente distinguíveis da estrutura original em tom grafite. Essa medida restabelece a estabilidade necessária para a reinstalação do sistema de caixilhos sem sobrecarregar a estrutura pré-existente.
Um desafio identificado desde a primeira abordagem ter intervenção refere-se ao desempenho térmico inadequado decorrente da completa dependência da envoltória envidraçada da estufa. Diante da inviabilidade de recuperar o antigo sistema de sombreamento por esteiras e dos limites estruturais para utilização de vidros mais espessos, o projeto propõe a instalação de uma nova cobertura leve em estrutura metálica independente, com aplicação de tecido bioclimático tensionado. Essa solução reduz carga térmica, mantém iluminação natural difusa e não interfere visualmente na percepção volumétrica do bem tombado.
A intervenção contempla ainda a modernização das instalações prediais e a plena acessibilidade universal, com nivelamento de pisos, planos de baixa inclinação para vencer desníveis e implantação de sanitário acessível, respeitando sempre o princípio de não interferência na leitura dos elementos arquitetônicos originais.
Os sistemas elétricos, hidráulicos e de climatização serão, sempre que possível, embutidos sob o piso e alvenarias para minimizar impactos visuais, ou instalados em conduletes aparentes rigorosamente posicionados para não interferir na leitura geral do projeto, principalmente nos trechos envidraçados.
















